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Entrevista
 

“A imagem converteu-se num ídolo”

O culto ao corpo não é coisa só de famosos. A exposição à que nos submetemos, sobretudo nas redes sociais, pode gerar profundos problemas. Falamos disso com a psicóloga Lidia Martín.

18 DE JULHO DE 2016 13:40 h
selfie Selfie na praia.

A privacidade está a cada vez mais encurralada. As redes sociais vêm a todos lados conosco, e nessa exposição da vida que tem calado em nosso dia a dia é fácil se deixar levar pela pressão dos cánones de beleza corporal com o que somos bombardeados constantemente.



Faz uns meses, uma das estrelas de Instagram, Essena Ou'Neill, deixava a rede social. Seus 700.000 seguidores surpreenderam-se ao conhecer que esta garota de 18 anos se submetia a uma grande pressão -ao princípio própria, depois de seus patrocinadores- para conseguir estar “perfeita” em cada foto. “Não o fazia conscientemente, estava obsedada com gostar aos demais”, contou.



Como ela, são muitos os que, tentando se ajustar a esses cánones, podem cair em práticas alimentares prejudiciais, uma vida de fingimento, e inclusive desenvolver problemas sociais e emocionais ao não atingir seus objetivos. Já sejam adolescentes que procuram o corpo perfeito ou adultos que querem apagar as marcas da idade, a tendência parece ir ao alça.



Entrevistamos a psicóloga cristiana Lidia Martín, autora do livro “Ao resgate de pais adolescentes”, para que nos dê sua opinião a respeito da cultura de culto ao corpo na que vivemos e como podemos colocar em seu justo lugar o cuidado pessoal.



 



Pergunta. Consideras que em nossa sociedade se lhe dá uma importância excessiva ao aspecto físico?



Resposta. Desde depois o valor que se lhe dá ao corpo está, não só desproporcionado, sinão descontextualizado para o mundo real no que vivemos e as leis que o regem. Parecesse que vivemos num tempo no que no fundo achamos que temos poder sobre o passo do tempo, a deterioração e a mudança sobre nosso físico e dedicamos as maiores energias e esforços em que esse passo do tempo não se note. Levamos adiante uma forma de vida em que o aqui e agora o é tudo e no que, ao ter eliminado o manhã e seus efeitos, nos convencemos da falacia do corpo perfeito.



Isto não só está relacionado com a questão do tempo, que talvez é uma das mais evidentes, sinão que o atrativo físico se converteu em bem mais que num simples cartão de visita ou no passe inicial de umas primeiras impressões. O físico fala de nós, melhor dito, fala por nós, porque não é infrequente que a partir de um determinado físico, seja “melhor” ou “pior” não se permita à pessoa dizer nada mais. Isto é, parecesse que com o físico 10 pode se atingir qualquer cota na vida, mas não será assim desde um físico mais convencional ou não tão despampanante segundo marcam os novos cânones.



Só temos que fixar na quantidade de mercado que movem as questões relacionadas com o corpo: centros de beleza, tratamentos, moda, clínicas de emagrecimento, operações biquini que duram já mais da conta, todos os setores da população, dá igual sua idade ou sexo, implicados na causa… Em definitiva, como dizíamos ao princípio, desproporcionados e descontextualizados, pondo excesso de energias no lugar equivocado e menosvalorando o verdadeiramente importante.



P. Com o boom das redes sociais vivemos expondo aos demais. Estamos preparados para isso?



R. A gente parece tentar preparar-se  cada vez mais para isso, ainda que das maneiras mais equivocadas. A imagem converteu-se em nosso ídolo. Tudo tem que ser belo segundo  entendem os cânones do momento e todo o esforço é pouco para  conseguir. O fim justifica os meios, já sejam estes a saúde, as relações ou qualquer outra coisa que tenha que sacrificar. Francamente, talvez agora sejamos mais bpnitos, mas acho que somos bastante mais infelizes, ainda que não nos atrevamos a mostrar nas redes sociais. Mostrámos de nós nosso melhor perfil, o que mais interessa que se conheça, nos conformamos com ter um número de amigos que nos aplaudam a parte do perfil que ensinamos, mas me temo que não nos estamos a preparar tão bem para a solidão que acarretam as redes como nos estamos a treinar para cultivar o corpo.



Não recordo onde lia recentemente a quantidade de operações de estética que se estão a solicitar tendo como único propósito melhorar a qualidade estética de nossos tão preciosos “selfies”. Igualmente, conheço já a alguma que outra pessoa que tem contratado a um treinador pessoal com o objetivo de ter o corpo escultural que deseja no dia de seu casamento e ficar radiante nas fotos. Francamente e com todos os respeitos, e sendo alguém que se preocupa moderadamente por sua imagem e seu físico, me parece que nos desviámos do norte perigosamente.



P. Que nos ensina a Biblia sobre o aspecto físico? Podemos encontrar o equilíbrio entre um bom cuidado do mesmo sem cair na idolatria?



 



Lidia Martín.

R. Eu entendo que quem nos deu o corpo é Deus mesmo, e que como tal é bom e devemos o cuidar. Mas não com o objetivo de o adorar ou endeosarlo, o qual é idolatria e nos doentes, em definitiva, porque nos leva a pôr o ênfase em questões equivocadas e a virar todas nossas energias em algo que não tem poder para nos fazer crescer, senão nos escravizarnos. O objetivo é cuidar e mimar aquilo que Deus nos deu, mas o colocando em seu justo lugar.



O corpo é nosso veículo para a vida, nosso cartão de apresentação, sem dúvida, também. Mas seremos cúmplices de nossa própria destruição se prestamos a que nosso cartão de apresentação  diga tudo de nós e não brigamos ou temos algo mais que dizer.Somos mente, emoções, pensamentos, ideias, ilusões, projetos, considerações, opiniões, criaturas dignas, tenhamos o aspecto que tenhamos. E a homogeneidade nunca esteve, até onde eu entendo, nos planos de Deus. Mais bem ao invés, nos criou a todos absolutamente únicos e irrepetíveis. Não usou moldes nem nos forçou a viver neles. Daí que o verdadeiramente triste de tudo isto seja que sejamos nós mesmos os verdugos de nossa própria escravatura ao converter o corpo, não em veículo de vida, e sim num cárcere cujos barrotes temos que abrillantar todos os dias.


 

 


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