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Nueva Jerusalén (México)
 

'Talibans ultra-católicos' governam uma aldeia mexicana

Destruíram duas escolas laicas e bloquearam o início do curso a 270 crianças que não aceitam suas directrizes religiosas.
MÉXICO 29 DE AGOSTO DE 2012

O curso escolar começou em todo México o 20 de agosto mas 270 menores não sabem quando poderão ir a classe porque os fanáticos ultracatólicos da comunidade onde vivem, Nova Jerusalém, destruíram e queimaram as escolas laicas em julho e agora têm bloqueado inclusive a golpes toda alternativa de educação fora da sua (que se limita a ler e escrever rezos e cánticos). O despliegue de 200 polícias nos arredores do povo sozinho tem conseguido acalmar temporariamente os ânimos mas, por enquanto, nem há classes, nem há detidos pelos actos vandálicos contra o colégio público. Só há tensão, incerteza e medo.



A luta pela educação tem sido o último capítulo de anos de confrontos de diferente intensidade nesta comunidade ultrarreligiosa de 4.000 famílias, onde um milhar moderado se rebelou contra a intransigência do resto.



A vida nesta comunidade, onde quase tudo está proibido -desde que as mulheres levem calças compridas, maquilagem ou a cabeça descoberta, até montar em bicicleta, ver a tv, jogar futebol, o álcool e até os namoros ou ler a imprensa- está marcada por duas coisas: as rezas contínuas que saem da igreja e invadem o lugar 24 horas ao dia (os fiéis se vão turnando nos cânticos); e pelas penitências para garantir a 'salvação' da comunidade. "Quando nos dizem, percorremos de joelhos o povo ou o que mandem para que o mau não nos chegue –diz uma idosa- Onde vamos estar em paz, com tantas coisas que passam lá fora?".



HISTÓRIA DE UM INTEGRISMO ANUNCIADO

Relata o jornalista e historiador mexicano Carlos Martínez García num artigo em Protestante Digital que a comunidade Nova Jerusalém, município de Turicato (30.000 habitantes), Michoacán , existe desde 1973 num governo em que se articula o religioso com o político.

“O fundador do lugar, auto chamado Papai Nabor, plotou-lhe um cariz integrista à Nova Jerusalém. Seu catolicismo tradicionalista, que inclusive desconheceu a jurisdição do bispo católico romano, lhe levou a construir um espaço regido por ele, onde ficaram excluídas todo o tipo de instituições do Estado. Nabor dizia que ele somente estava a pôr em prática as revelações dadas pela virgen do Rosário através da vidente Gabina Sánchez, conhecida como Mamãe Salomé”.



Paulatinamente foi-se preparando um grupo que deixou de compartilhar o impasse de Nabor, a vidente em turno e seus incondicionais, sobretudo a partir da morte daquele no 2008. Os inconformes com o isolamento total do mundo organizaram-se para construir uma escola primária na que se dessem classes por parte de docentes do sistema de educação pública. Isto é, lembraram que na escola se desse educação laica e gratuita.



Mas isto não é do gosto do atual patriarca do povoado, Antonio Lara, que se faz chamar San Martín de Tours, e sua vidente que é Rosa Gómez Gómez. Ela é quem diz que a virgem do Rosário lhe ordena derrubar a escola, o que um piquete de obedientes aos desígnios celestiais levou a cabo em julho deste ano. Com o início do recente ano escolar, faz uma semana, os dissidentes pretenderam começar classes para seus meninos e meninas numa casa habilitada para tal propósito mas San Martín de Tours ordenou bloquear a entrada ao lugar para impedir aos docentes cumprir sua tarefa.



PASSIVIDADE DO ESTADO

O governador de Michoacán, Fausto Vallejo Figueroa, fez chamados para que se respeite o direito à educação e exortou para que prevaleça a tolerância. Nenhuma palavra sobre os múltiplos delitos cometidos por San Martín de Tours e suas hostes. Na Nova Jerusalém, assim o denunciaram algumas vítimas, além de se proibir a existência de uma escola na que o conteúdo pedagógico seja diferente ao integrismo dos pseudos profetas, os sucessivos patriarcas e seus muito próximos são assinalados de abusos sexuais e disciplinas cruéis contra os que se rebelam a seu governo tirânico. Enquanto tudo isso tem sucedido, o Estado olha para outro lado. Passa o que disse Carlos Monsiváis, “em México o Estado é laico, mas distraído”.



A situação neste povo "é crítica mas o governo do Estado de Michoacán está indeciso, não sabemos se intervir", tem assegurado o prefeito de Turícato, Salvador Barreira Medrano, do partido esquerdista PRD. "É perigoso porque estamos plenamente convencidos de que têm armas de fogo mas não operar gerará outro tipo de problemas porque há violações à lei que são intoleráveis".


Segundo denúncia, sua prefeitura tem pedido ajuda ao governo de Michoacán mas por enquanto não há resposta para começar uma “intervenção” que "faça valer o Estado de direito ainda que para isso tenha que demolir muros e deter a fugitivos", tanto os que derrubaram as escolas como os que, "se foram refugiando no povo durante anos".



Enquanto, os pais encurralados criticam ao Governo por deixar-se curvar pela vontade divina dos integristas. “Não podemos permitir que uma seita religiosa se ponha acima do Estado”, reflexionava um porta-voz do pais, Emiliano Juárez Damián, num celeiro acondicionado como escritório.
 

 


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