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Dois anos depois do terremoto
 

Haiti: “Um país pode estar em crises mas Deus nunca está em crises”

A ajuda internacional nem sempre chega ao mais necessitado. A prostituição juvenil aumenta. Faltam água potável, alimentos e medicinas. Porém o pastor Edouard Webert não perde a fé.
PORTO PRÍNCIPE 04 DE MARçO DE 2012

“Estamos bem, a igreja está vivendo um momento especial espiritualmente. As pessoas se aproximam mais de Deus; alguns têm grande temor de Deus e o Espírito Santo se move muitas vezes. Glória a Deus!”, dizia o pastor Edouard Webertdesde Haiti, há dois anos.



Depois do terremoto de 12 de janeiro de 2010, este jovem pastor decidiu recorrer à ilha para levar ânimo aos crentes e ajudar materialmente no que podia, administrando com prudência até o último centavo de algumas ofertas que recebeu do exterior. “Para mim ser cristão é uma questão de vida ou de morte Por esta razão quero fazer tudo bem, segundo me indica a Palavra de Deus”, expressou naquele momento em uma entrevista com Protestante Digital.



Em um primeiro momento, Webert visitou os pontos onde a destruição foi maior, inclusive lugares onde não havia igrejas evangélicas, como o caso de Gonave. Para viajar a esta cidade – ou o que ficou dela - teve que passar quase três horas em um barco a velas e motor. Enquanto que, em cidades como Jacmel, Anse-à-VeauePorto Principeos crentes doCentro Cristão Evangélico (CCE) que ele lidera, voltavam a se reunir. “As atividades espirituais têm mais gente que antes, ainda que os cultos agora se fazem em tendas ao ar livre”.



O terremoto deixou mais de 300.000 mortos segundo as autoridades do Estado (sem contar milhares de cadáveres que nunca puderam ser resgatados de debaixo dos escombros) e mais de 1.5 milhão de pessoas sem casas. “A ferida está portanto muito aberta. Debaixo dos escombros cada um de nós deixou a uma mãe, um pai, um parente, um companheiro da alma…”, reconhece Webert.



DOIS ANOS DEPOIS

Apesar de alguns esforços, hoje como em janeiro de 2010, quem chega a Haiti têm a impressão de que o terremoto foi ontem. “É uma decepção já que alguns disseram que depois deste sismo nada voltaria a ser igual na vida, na mente dos haitianos. Longe de nós a idéia de que ‘os grandes desastres fazem grandes nações’. Existe um abandono imenso entre a situação das pessoas que vivem debaixo das tendas e o processo de reconstrução”, expressa Webert.



Em 14 de maio de 2011 assumiu um novo Presidente da República. Até hoje, Michel Joseph Martelly não conseguiu a estabilidade política. Não tem harmonia entre os poderes, sobre tudo entre o poder executivo e o legislativo. Por outro lado, os antigos membros do Exército haitiano –desmobilizado em 1995 durante a presidência de Jean Bertrand Aristide-, recuperaram parte de suas bases sem aviso prévio do governo. “A situação causa temor na população, já que muitas famílias ainda têm cicatrizes profundas causadas por este Exército. Um Exército é necessário, mas tudo deve ser segundo às leis…”, disse Webert.



SITUAÇÃO SOCIAL

Segundo nosso entrevistado, a situação social em Haití tem agravado depois do terremoto. “O tecido social está rasgado. Não há coesão entre os diferentes setores da vida nacional. Não há um objetivo comum e cada pessoa busca seu próprio interesse, sem respeitar as leis do país. Vivemos em desordem social. A violação da Constituição e as leis é quase sistemática”.



Aqueles que perderam tudo por causa do terremoto, continuam vivendo em condições muito difíceis nos lugares de alojamento. Os refúgios temporários forjados pelas vítimas sem moradia estão já em situação de ruína. Webert denuncia que “tem um aumento da prostituição juvenil. Nos lugares de alojamento, os menores não têm temor a seus pais e fazem qualquer coisa. Um certo dia um pai me disse ‘antes da catástrofe, era difícil que minha filha de 16 anos viesse para casa com um rapaz, e agora diante de meus próprios olhos ela entra com um homem em sua tenda de campanha. Sabe o que significa isto para um pai?’. O homem chorava”.



Este pastor se enfrenta diariamente a situações muito tristes. “Faz alguns dias, em Léogane, a zona talvés mais danificada pelo terremoto, um amigo me mostrou um vídeoonde uma menina que saía da escola com seu uniforme, entrava em uma tenda de campanha para compartilhar a cama com um jovem. Se pode dizer que nos lugares de alojamento temporário -que seguem existindo até hoje-, os haitianos vivem em um estado bestial. Nestes lugares, as vítimas esperam sem fazer nada. Eles esperam sem fazer nada porque eles não têm nada. Em outras palavras, é muito difícil para eles resolverem suas vidas, regressar à vida normal, a que tinham antes do terremoto”.



Na área da saúde o panorama não é menos desolador. Segundo Webert, “a maioria da população não têm acesso a água potável e não pode comer o suficiente. Os hospitais não têm materiais necessários para dar cuidados aos pacientes. Muito raramente recebem um primeiro auxílio porque os médicos de turno estão quase sempre de greve. A isto temos que acrescentar a cólera. As enfermidades tropicais se vão multiplicando”.



ROL DA IGREJA EVANGÉLICA

Diante da situação geral do país, a Igreja enfrenta um grande desafio. “Não há dúvida, a Igreja Evangélica não têm que cruzar os braços. Ela deve atuar para mudar a sociedade e, sobre tudo, para mudar a mentalidade dos haitianos. Sempre disse e sustento ainda no dia de hoje: Haití, como todos os países do mundo está necessitada do Evangelho porque o pecado só traz ruína e miséria, mas a graça de Deus enriquece e não acrescenta tristeza”, disse com convicção o pastor Webert.



Em sua opinião, “a Igreja Evangélica deve comprometer-se a formar cristãos-cidadãos, que sejam cristãos autênticos e cidadãos honestos. A Igreja Evangélica têm que trabalhar para a coesão social e lutar, sem cesar, para a educação participativa não somente de seus membros mas também de toda a população haitiana. Se o pais sofre, os crentes sofrem. É por esta razão que lutamos para alcançar estas duas metas, convencidos de que a solução vem por meio de Jesus Cristo”.



AS ONGS

Atualmente existem em Haití mais de 4000 Organizações Não Governamentais. Depois do terremoto de 2010 as atividades das ONGS -cristãs ou não cristãs - foram mais visíveis. “O número de ONGS foi aumentado. Para dizer a verdade, sem elas a situação sería pior do que é, sobre tudo a partir da aparição da cólera em outubro de 2010, enfermidade que segundo os especialistas veio com os soldados da MINUSTAH, em particular os originários de Nepal”, afirma o pastor.



Dois anos depois da catástrofe, as ações das organizações humanitárias em Haití recebem mais críticas que aplausos por parte dos haitianos. “O impacto é negativo – disse Webert- Por um lado, tem gente que têm a impressão de que as ONGS vêem para fazer dinheiro com a miséria do povo. Não vêem que estas organizações tenham planos de trabalho mas que atuam independentemente da situação de crises e o que fazem não é para trazer solução, senão para permanecer em Haití. Pois, para esta categoria de gente, as ONGS mantêm a Haití no subdesenvolvimento. Tem outro grupo de pessoas que pensam que as ONGS fazem algo para ajudar aos haitianos, porém não o suficiente. Não obstante, esta gente reconhece que a maior parte do dinheiro recebido pelas ONGS em nome do povo haitiano, é gasto em seu próprio funcionamento: Salários, etc.”.



Como cristão, opino que as ONGS estão em Haití porque o Estado é débil. O desenvolvimento de um país é um assunto do Estado deste país e não das ONGS. Entretanto, temos que reconhecer que estas organizações desempenham um papel muito importante, salvaram vidas humanas depois do sismo. E também os haitianos destroçados pelo terremoto esperam, de alguma maneira pensam que as coisas vão mudar através das ONGS”, disse o pastor das igrejas Centro Cristão Evangélico.



AJUDA DESDE O EXTERIOR

Edouard Webert não se atreve a dizer que as ajudas internacionais não chegam aos mais necessitados, mas reconhece que “o clientelismo, a corrupção ao interior das ONGS e o abuso do poder são causas que impedem que os mais necessitados recebam as ajudas em sua totalidade”.



As vezes tem que lutar muito para receber algo e depois, passados alguns dias ou meses, essas coisas que eram para os necessitados se vendem nas ruas. “Se diz que o terremoto de 12 de janeiro de 2010 fez novos ricos em Haití”, expressa com tristeza.



Seu ministério não recebeu nada das ajudas humanitárias internacionais. Só pode contar com algumas ofertas particulares chegadas imediatamente depois do terremoto, na qual possibilitou a provisão de alimentos para os fiéis que havíam perdido tudo. “Temos fé. Um país pode estar em crises mas Deus nunca está em crises. Tudo o que fazemos, fazemos com a providência de Deus”, afirma.



Nestes dois anos, Webert não parou de trabalhar, reconstruir templo e inlcusive iniciar projetos novos. “De fato, depois do terremoto realizamos e seguimos realizando: reparação e construção de templos, distribuição de comida a nossa comunidade de fé -as vezes também a alguns habitantes do lugar-, formação de líderes, confraternização de mulheres, correntes de oração, campanha de evangelização nas zonas periféricas, escola básica para crianças órfãs e desfavorecidas, diversos trabalhos comunitários… Também iniciamos em outubro passado os ‘Sábados de crianças’ a fim de formar cristãos-cidadãos”, conclui Edouard Webert (webertedo@yahoo.fr).
 

 


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