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Vanderlei Padilha: viver em comissão e não em omissão

Vanderlei Padilha Machado é brasileiro e encontra-se realizando um Master em uso das TIC na Educação na Universidade de Salamanca.
MUITO PESSOAL 31 DE DEZEMBRO DE 2011

Licenciado em Letras/Espanhol pela Universidade de Brasília e em Teologia pela Universidade Instituto Educacional Evangélico do Centro-Oeste.



Atualmente é integrante da Coordenação de Línguas Estrangeiras Modernas e do grupo de pesquisa Gestão e Avaliação, ambos da Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação, da Secretaria de Educação do Distrito Federal.



Pergunta.- O que trouxe você e sua família para a Espanha?

Resposta.- Bem, viemos por motivo de estudos, estou estudando na Universidade de Salamanca um Mestrado em uso das TIC na Educação.



P.- Por que você acha que muitos brasileiros escolhem Espanha para um mestrado ou um doutorado?

R.- Em princípio, a qualidade das universidades e pelos cursos que oferecem que são muito bons.



P.- Está acontecendo um boom do espanhol no Brasil?

R.- Sim, sim, o Brasil é parte de um bloco econômico, o MERCOSUL, cujas línguas oficiais são o Português do Brasil e Espanhol, por isso, foi aprovada no Brasil a Lei nº 11.161, de 05 de agosto de 2005, que determina a oferta de língua espanhola como língua estrangeira na formação básica. Desde 2010 o governo brasileiro está implementando este componente curricular nas escolas das diferentes unidades da federação. Por outro lado, no Brasil, haverá dois eventos internacionais, que são a Copa do Mundo de futebol em 2014 e as Olimpíadas, em 2016. Esses dois eventos podem melhorar os negócios, fomentar intercâmbios culturais entre outras coisas, então as pessoas estão procurando aprender a língua e cultura espanhola.



P.- Estamos lembrando o nascimento de Jesus em um estábulo humilde e sem pompa. Mas ele tinha uma família que o ajudou a crescer em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens. Como foi a sua infância, você cresceu em um lar estável?

R.- Não, infelizmente não foi infância muito feliz. Eu nasci em uma família desajustada, meu pai é um alcoólatra, eu digo que é porque ele ainda vive e continua com o vício. Eu sou o primeiro e único filho homem de uma família de quatro filhos. Nosso pai maltratou a todos nós, inclusive a nossa mãe. Quando eu tinha sete anos meu pai disse a minha mãe que não me queria mais em casa, porque ele não gostava das coisas que eu fiz. Minha mãe me levou a um serviço de justiça do município e o estado passou a ser responsável por cuidar de mim. Como naquela época não havia estrutura para este tipo de situação, o juiz ordenou-lhes que me levassem para a cadeia pública municipal até que se resolvesse a situação. Bem, como os responsáveis pela instituição não entendiam minha situação, então eu vivi nas ruas por mais ou menos três anos. Mas Deus tinha e tem um grande propósito na minha vida, com 11 anos de idade, uma senhora de condição financeira boa, com um coração muito generoso solicitou à justiça e me levou para viver em sua casa. Esta senhora me deu amor, comida, cama, casa, família, me ensinou valores morais e cristãos, mas sem profundidade, e mais, me disse que seria alguém se estudasse, que não herdaria o menor coisa do património do família. Que maravilha, eu cresci assim, sem apego a nada, me matriculou na escola e estava sempre preocupada com meus estudos, ou seja, este período foi fundamental na minha vida, me retiraram da marginalidade e reincluíram na sociedade. Creio que aquela família foi parte do plano de Deus na minha vida, sei que há plano de Deus na vida de todos nós, mas que podem não ser realizados por omissão de quem deveria cooperar com Deus para a sua manifestação em muitas vidas.



P.- Então, você acha que são importantes os bons samaritanos em nossas vidas e nossas circunstâncias?

R.- Para mim, não só é importante a presença de bons samaritanos como também devemos ensinar nossos filhos a exercer solidariedade, através de nossas ações, porque o testemunho vale mais do que palavras e porque este é um exemplo deixado por Jesus Cristo para a humanidade.



P.- Como você conheceu o evangelho?

R.- Infelizmente, não foi nessa família, tive provas e outras circunstâncias, que vieram de Deus e as tentações de Satanás, estas circunstâncias levaram-me a sofrer e a fazer sofrer outras pessoas que fazem parte da minha família. Em 2004, a situação que vivíamos era um vale de ossos secos conforme relata a Bíblia Sagrada, minha esposa e minha filha buscaram consolo na igreja evangélica, éramos católicos, mas não sentíamos a manifestação de Deus em nossas vidas. Deus tinha preparado para nós pastores e irmãos na Igreja Comunidade Evangélico entre as Nações para nos ajudar e orientar no conhecimento de sua palavra e seu poder de transformar vales de ossos secos em pessoas com vida plena.



P.- Se fizer um balanço de tudo o que aconteceu, você ainda acredita que os cristãos deveriam ser instrumentos de restauração de pessoas, especialmente crianças que se encontram em uma situação de marginalização e abandono (sob a direção de Deus, é claro)?

R.- Sim, acho que nos tornamos instrumentos de restauração de crianças e adultos que estão em situações marginais, mas devemos tomar cuidado, algumas crianças ou os adultos têm dificuldade em entender estas coisas, isto é, é preciso ensinar a sair de situações negativas e não simplesmente servir de muleta para o resto da vida. Jesus nos ensinou, devemos ensiná-los a pescar, não somente dando o alimento que necessitam para aprender a viver e sair da situação negativa com o seu esforço também.



P.- Está correto que igreja cristã pratique ação social?

R.- A igreja deve buscar o crescimento espiritual e também tem uma responsabilidade social, lembremo-nos dos ensinamentos de Jesus e da igreja primitiva, havia uma preocupação de todos com todos, não pode agora ser diferente, a igreja tem que agir socialmente com ações específicas para salvar pessoas, inclusive aqueles que estão dentro da igreja e têm dificuldade, quero dizer, há muitas igrejas que não têm saúde social nem espiritual e querem resgatar as pessoas que não conhecem. Veja bem, eu não estou dizendo que a igreja não deve fazer ações sociais, mas em algumas igrejas deve haver mais ação social entre os irmãos.



P.- Há um grande crescimento dos evangélicos em seu país. A quantidade é acompanhada por qualidade?

R.- Apesar de entender a necessidade de adaptar a liturgia das reuniões para que todos os membros possam sentir-se tocados pelo poder de Deus, vejo o movimento nas igrejas como impregnado de muitas coisas ruins, e o pior é que isto já não trás muita preocupação para a liderança da igreja. Esta é uma das minhas preocupações, o aumento do número de pessoas que frequentam as igrejas não é acompanhado de qualidade, há algumas igrejas que têm em sua liturgia muito misticismo e ecumenismo o que está descaracterizando a doutrina bíblica, a meu ver, muitas igrejas funcionam por doutrinas feitas por homens. As pessoas vão à igreja como para uma festa sem reverência para o Deus Criador, que pode salvar e libertar. Muitos, por incrível que possa parecer, não compreendem o que significa a vida eterna, a salvação, a liberdade, o reino de Deus, etc. Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança, mas o mesmo Deus deu ao homem características como poder de decidir, sentimentos e emoções, o que de certa maneira traz dificuldades para entender muitas circunstâncias, provações e tentações. Consequentemente, muitas pessoas dentro das igrejas não conseguem manter perfeita comunhão com Deus. Neste sentido, seria bom que muitas igrejas voltassem à doutrina deixada por Jesus Cristo.



P.- São evangélicos envolvidos na política e em cargos públicos?

R.- Sim, há muitos, há alguns que têm a ética cristã e estão lutando para manter o puro evangelho e a liberdade de expressão religiosa, mas como na político-partidária é difícil alcançar o sucesso em demandas de forma isolada, muitos têm dificuldade em manter-se livre, as alianças os deixam incapaz de agir como deveriam.



P.- Você acabou de graduar-se em teologia. Quão importante é o conhecimento para crescer espiritualmente?

R.- Importantíssimo, tanto para aprender sobre as coisas de Deus, que é o fundamental, quanto para aprender o homem espiritual e a natureza humana do homem, suas necessidades espirituais. Por não saber, não há maneira de viver plenamente no reino de Deus, para mim, é aí que reside a maioria dos problemas do cristianismo, a falta de conhecimento.



P.- Qual é a missão da Igreja neste século?

R.- Como o corpo de Cristo, eu acho que a missão da igreja é se importar com todas as pessoas, com as que já estão no corpo, especialmente, e com as que ainda não tiveram a revelação clara da verdade espiritual da que fazemos parte. Como mencionei anteriormente, é necessário o ensino da palavra, nem sempre na igreja se está vivendo de acordo com os princípios bíblicos de amor, fraternidade, compromisso com a verdade, para manter a palavra no coração para não pecar contra Deus, isto é, a Igreja tem que levar as pessoas a adorar a Deus e ajudar a resolver problemas sociais que surgem.



P.- O que é a família da fé para alguém que está longe de casa, de sua família...?

R.- Olha, é um porto seguro, um lugar onde você se sente acolhido e pode dar continuidade aos planos de Deus, em nosso caso, sentimos em nosso país, e em nossa família, literalmente. Irmãos da Igreja Cristã Evangélica de Salamanca, Paseo de la Estación têm nos mostrado o amor de Deus que está em seus corações, então eu me sinto muito confortável com os irmãos.



P.- O que você diria a alguém que pergunta sobre o significado do Natal?

R.- É um momento de muita reflexão, uma vez que trata da comemoração do nascimento do filho de Deus que veio para salvar a humanidade dentro do plano organizado por Deus. Que a nova aliança de Deus com o homem tem duplo aspecto, Jesus nasceu para cumprir a vontade do Pai e o cumpriu, pois viveu uma vida de humildade, ensinou ao homem como este deve proceder para viver bem e ter salvação espiritual, do outro lado uma aliança com o homem pode ser entendida como algo maravilhoso, que não pode ser desacreditada, de que o plano de salvação é individual e depende de que o homem aceitá-lo para que tenha vida eterna, pois todos nós nascemos espiritualmente mortos.



Finaliza a entrevista. Obrigado, Vanderlei, por teu testemunho de uma vida restaurada. Faz-nos ver que vale a pena realizar ações que façam a diferença na vida das pessoas que estão ao nosso redor e que necessitam tanto de nós como da manifestação do poder de Deus. Benvindos, e que tenham uma excelente estada na Espanha.
 

 


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