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Crescer ou se consumir no silêncio?

O silêncio é também, como sempre foi, um encobridor de mentiras em ocasiões.
O ESPELHO 11 DE NOVEMBRO DE 2011

Associamos o silêncio à paz e à calma com relativa frequência e ainda que vivemos em um tempo em que se foge dele ( no fundo não o suportamos, parece que necessitamos de constante ruído de fundo para assim poder olhar para outro lado com mais facilidade), todos anelamos, com maior ou menor veemência, essa calma. As vezes só podemos encontrar alí, onde não compartimos o espaço com ninguém. A questão é, também, que nem sempre a buscamos nem a encontramos através do silêncio. E não me refiro simplesmente a esse fato de que estamos acostumados ao ruído e, por questão de preferências, optamos por este último. Penso mais bem que, de fato, em muitos momentos de nossa vida, o silêncio é justo a manera em que não podemos obter paz de nenhuma forma. O silêncio também fala, nos diz coisas, da mesma forma que falam nossos atos por ação ou por omissão. E não gostamos do que nos diz.



O silêncio nos distancía em determinadas ocasiões da paz de uma forma ameaçadora, ensurdecedora, por paradóxico que pareça epensava nestes dias que sucede quando o que acalma nossa alma, nossos anelos, nossas inquietudes, é a palavra e não o silêncio. A falta de discurso acompanha, em muitas situações, as ansiedades mais espantosas, as noites mais longas, as inquietudes vitais mais transcendentais e nos consome, longe de nos nutrir, nos acalmar ou aliviar nossa dor. Necessitamos ao outro, o que vai nos falar, inclusive quando a mensagem não é lisongeira. A palabra nos fala de sua presença, de sua implicação, de seu interesse por fazer um esforço de falar, de comunicar-se, ainda que não saiba muito bem como ou com que palavras concretas. Não se necessitam grandes discursosnesse momento, não se necessitam. Somente um gesto, uma voz afogada, inclusive, que expresse “Tenho algo que dizer, ainda que não vá gostar”.



O silêncio é também, como sempre foi, um encobridor de mentiras em ocasiões. Nos resistimos à verdade, ainda que esta nos liberte, porque em nosso orgulho não queremos que os demais vejam o que nós já sabemos que existe dentro. E optamos por mentir abertamente ou por ocultar a verdade, que a efeitos práticos é o mesmo. Os demais, entretanto, nos conhecem, sabem o que ocultamos, mas esperam a confissão, o arrependimento, e o desejo de alcançar o perdão. O silêncio não nos fala de nenhuma destas coisas necessariamente. Os silêncios que ocultam pecado só fazem consumir, absorver, isolar, distanciar às pessoas do afeto e ternura dos que, por cima de qualquer falta, ainda os amam. E se perde um tempo precioso, nesse silêncio, que não volta. Seus efeitos são devastadores.



Não há saúde sem palavras, a que diz particularmente “Perdoa, te fiz mal” mas nem sem o justo silêncio e tributo ao Criador, que nos põe no lugar adequado, que nos recorda que somos pó e que nos fala ao coração quando queremos verdadeiramente saber o que tem a nos dizer. Para isto temos de calar, que duvida é, mas este é um silêncio diferente. Está tingido de humildade e arrependimento, da mensagem “Você me fala e eu me calo”. Ai é onde frequentemente fugimos de um silêncio que nos incomoda e nos entrincheiramos em um que nos parapeita, e que nos permite disparar todos nossos dardos envenenados à outros. Isto sim, sem palavras, que dói mais, e bem protegidos… covardemente protegidos.



Se tem algo difícil de alcançar pelos seres humanos é um equilíbrio entre palavra e silêncio. Nem sabemos quando falar, nem sabemos quando calar. Esta é uma luta eterna em cada esfera da vida, porém mais ainda na dificuldade. Falamos fora de tempo com tanta frequência que já não sabemos distinguir quando sucede. Somos capazes de incomodar, perseguir, presionar, dar sermão, cansar… em vez de apoiar, acalmar, susurrar e animar. No silêncio não somos muito mais sábios. Calamos em vez de dizer “Não sei que dizer” ou “Não posso te dizer o que querias ouvir”. Usamos como arma atirando nos momentos em que sabemos que mais mal faz, porque o silêncio, sem dúvida, dói a não ser que seja almejado em busca de uma paz que não chega de outra forma. O silêncio diz, tantas vezes, “Não me interessas”, “Não quero me comunicar contigo”, “Não quero falar porque sinto que qualquer coisa que diga pode ser utilizada contra mim”.



Nada dói mais que o silêncio quando este não se deseja, quando se anseia uma palavra, ainda que seja aparentemente asséptica, vazia. Nenhuma palavra é, em realidade, da mesma forma que nenhum silêncio é, ainda que creiamos que sim. Estes silêncios que se usam “para não machucar” são as vezes os que mais doem. Um não sempre cala para não machucar ao outro, senão para não se comprometer a si mesmo, o que ao final é esconder, atrás de uma aparência altruista, um ato profundamente egoísta.Oque não se diz há de adivinhar-se e se acumula a dor da ignorância sobre o das dissertações mentais nas que se entra diante a falta de informação, com intenção de que, como o silêncio fala também direto ao coração, o que passa não é bom em nenhuma maneira.



É curioso como falar com uns nos leva inevitavelmente a calar com outros. Quando a comunicação com algumas pessoas supõe traição, desapego, distâncial e respeito a outras, surge o silêncio para as últimas. Para dizer de outra forma, o que era uma comunicação saudável, ainda que imperfeita, cessa de repente porque outros atos de comunicação menos saudáveis entraram em jogo. Por isso é também tão importante decidir com quem queremos nos comunicar, quais são nossas prioridades nesse sentido. Escolhemos nossos parceiros e com ele em ocasiões tivemos de rejeitar outros porque são incompatíveis entre si. Uma mesma fonte não pode dar água doce e amarga, pelo que silêncio e comunicação entram aqui também em um delicado equilíbrio que não é fácil de discernir.



Nesta mesma linha, os meios que aparentemente hoje mais nos aproximam a nos comunicar, a nos falar, estão gerando buracos intransponível cheia de silêncios entre as pessoas que, em muitas ocasiões, não tem retorno, à margem de quantas palavras se pronunciem para superar-las. O silêncio nesses casos enche tudo, machuca tudo, ou consome tudo igual que as palavras ditas a quem não se deve. Quantos casais podemos ver sumidos na dor de sua ruptura porque um chat, por exemplo, facilita a comunicação com quem não há de ter-se a sentença ao silêncio a quem morre por falar contigo! ¡Quantos filhos não falam com seus pais ou ao contrário em um mundo desmoronado pelos celulares, os computadores e redes sociais de todo tipo e cor! Nunca nos temos sentido mais sós que agora. E é que o que nos faltava não eram meios para nos comunicar, senão o verdadeiro desejo de fazer.



Podemos permanecer impassível diante disto, todo o tempo do mundo. Podemos render-nos ou cair na armadilha da imposição de nossas próprias idéias, de nosso próprio eu, com tudo o que este diz, negando-nos à realidade de que decidimos calar em vez de falar oo falar de maneiras pouco construtivas. Nesses momentos, que paradoxa, tendemos a pensar que Deus é o que não nos fala, e que não nos escuta. Porém Deus não nos ignora jamais, nem desde a palavra, nem desde Seu silêncio. Tudo nEle é amor para nós, ainda que nós não saibamos ver, como nem vemos o amor entre nós ainda tendo ele na frente.



Nosso Deus é o Verbo, se manifestou através da linguagem dos homens e se aproximou a nós não poupando em mensagem verbal, ainda que as vezes também se cale. Elesilencia Sua voz por amor em algumas ocasiões (Sofonías 3:17), e em outras decide não fazer também por amor a nós (Isaías 62:1), no processo de restaurar nossa vida e nos consolar. Que diferente a nós!



O milagre que Ele opera é que desde o silêncio da dor, do que e imposto e não escolhido, possa brotar um grito de louvor, um canto de gozo entre lágrimas que honre a Ele e só a Ele na dificuldade. Deus não permanece calado para sempre. Em Seus silêncios nos fala e, com eles, nos anima a lhe escutar mais atentamente. Porque inclusive quando Deus parece calar e não nos falar, fala diretamente a nosso coração susurrando “Escuta”. Nesse silêncio crescemos, ao contrário do que ocorre quando no calar ou no contemplar como outros se calam, nos consumimos.



(…)

Que saiba calar para te escutar…

que saiba falar para amar a outros…

que saiba abrir minha boca para te louvar…

que saiba ver e escutar a dor de quem tenho perto em seu silêncio…

que possa ouvir em meio do ruído dos acontecimentos…

que esteja atento à palavra de consolo de quem, de perto, me cuida…

que decida voluntariamente não me consumir no silêncio, senão crescer nEle e em Ele.





Foto: Copyright (c) 123RF Stock Photos
 

 


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