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"Messianismo Tupiniquim e as Eleições"

REFLEXÃO E AÇÃO AUTOR Waner Lenke 28 DE OUTUBRO DE 2012

É interessante notar, que nestes momentos de eleição o “messianismo evangélico’ se torna cada vez mais latente.

Neste momento vemos profetas, pastores, e crentes em geral se digladiando e assumindo o título de defensor da igreja, como o escolhido do Senhor para uma tarefa que se você não votar nele você será culpado do pecado da “blasfêmia do Espírito Santo”, sendo sua espiritualidade questionada, por você usar aquele maravilhoso instrumento de Deus que está dentro da cachola, entre o ouvido chamado vulgarmente de miolos, ou em termos médico simplesmente cérebro.

Vamos por partes pra dissecar o que quero dizer: Quando questionado quanto a respeito da aceitação do reino de Roma sendo imposto aos judeus, de uma maneira muito sutil, os fariseus questionam sobre a licitude de pagar impostos a metrópole, tentando dar a Jesus um caráter político e tentando utilizar o poder político imposto para eliminar o incomodo da figura do mestre pra sua posição. Ou seja, Jesus incomodava os Fariseus e mestres da lei com sua pregação e exemplo. Dependendo da reposta de Jesus, ele seria trucidado pelos invasores, ou pelos nacionais, se “sim” seria inimigo do povo oprimido, se não inimigo do opressor. Deram a ele duas possibilidades, duas únicas, aliás, que em qualquer caso deixaria o Cristo em maus lençóis, tinha encontrado uma argumentação que deixou Jesus preso na resposta, deixaram o mestre em sinuca de bico, enfim o que todo político gosta de fazer. Mas Jesus devolve a pergunta, como fez outras vezes, como amo saber da sua capacidade intelectual, sua argumentação, suas surpreendentes ações. Ao questionar na moeda, de quem era a esfinge impressa nela. E a resposta foi demasiadamente reveladora. “Daí a César o que é de Cesar e a deus o que é de Deus”.

Temos aí uma questão interessante, coisas de César (estado) e coisas de Deus (igreja), dicotomicamente separadas e não unidas. Dicotomicamente duas coisas separadas e diferentes (desculpem a redundância, mas apenas pra enfatizar). Se observarmos a história de Israel, veremos que o poder religioso, e político eram coisas separadas, havia o sacerdote, e o rei, mas nunca estes estavam misturados. Apesar de Deus afirmar a seu povo que iria constituir uma nação de sacerdotes, nunca colocou no rei as funções de mediador, de agente da graça, mas sim colocou no rei a função de poder temporal e a função de instrumento de Deus para comunicação d’Ele a seu povo aos sacerdotes e profetas.

Historicamente a junção sacerdote-rei, é pagã, e nunca foi pensamento de Deus em uni-la em torno do que queria para seu povo. Ele estava criando uma nação diferente das demais. Não traria este costume ao seu povo. Imaginem o problema se a palavra do rei for considerada a de Deus, ele será inquestionável, ele se verá como objeto de adoração, sendo assim a mistura igreja-estado é algo altamente pernicioso.

Se voltarmos ao tempo da pergunta dos fariseus a Cristo, era uma época em que César era considerado Deus, uma época que se queimava anualmente incenso a ele em praça pública, e tinham refeições anuías para indicar subordinação e veneração à figura do rei. Lembremos, de que os cristãos primitivos eram perseguidos por não expressar a expressão “César Curios” e em invés dela expressar a”Iesus Curios”, ao afirmar que o Senhor de tudo e todos não é o poder temporal, mas oSenhor da história Jesus Cristo. Imagine como foi perigosa a declaração de Paulo, “que todo joelho e dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor”.

Adiante após várias perseguições o imperador Constantino, declara sua conversão após um sonho, numa batalha que praticamente era perdida, e neste sonho tem a “revelação” de que deveria pintar o símbolo dos cristãos em seus escudos para ter vitória. Logo depois da vitória miraculosa, declara que Roma não era mais pagã e que a religião do estado seria o cristianismo. A uma discussão histórica a respeito da conversão do imperador, que só vai realmente acabado, na volta do mestre, mas como dado para apimentar sua curiosidade o imperador só se batiza em seu leito de morte. Ele se declara chefe da igreja e une o poder temporal ao poder religioso, como era o paganismo. A Constantino devemos o fim da perseguição aos cristãos em Roma, mas em sua conta existe o débito de tornar o cristianismo uma religião sincretista.

Mas, o mais trágico da história é que o decorrer do tempo torna a igreja, ou melhor, o que se imaginava igreja, em uma instituição política, que dominava os ditames da sociedade, tentando fazer do governo humano uma teocracia, em que a igreja, aliás seus líderes seriam autoridade inquestionável e que qualquer discordância a eles seria uma afronta a Deus. O pior de tudo punida com a morte. E nesta época de trevas, chamada historicamente como “idade média” a chamada igreja instituída não era luz, e sim perseguia aqueles que traziam a luz do senhor ao mundo. A incoerência histórica os cristão verdadeiros eram perseguidos pela igreja.

Daí nesta época surge no meio da história, após a existência de Lutero, Calvino e outros, que ainda misturavam o poder temporal com o religioso um grupo de cristãos que pensava diferente, e que declarava a separação de uma coisa da outra, os anabatistas, q de qual surge a igreja a qual faço parte, não por comodidade, ou por interesse, mas por opção e convicção. (devemos toar que não podemos nos auto-intitular melhores, uma vez que se tivermos honestidade histórica outros grupos defendiam o mesmo, e que tanto calvinistas e luteranos foram instrumentos de Deus na história, aliás, ainda o são).

Quando se separa a igreja do estado, se tem claro uma coisa, haverá pontos políticos divergentes, e posições administrativas que são opções, não existindo nelas ditames de boas ou más, mas sim de posições. Para isso devemos entender que cada ser humano, tem o livre arbítrio, o que constituí uma opção nossa, enquanto evangélicos reformados da liberdade de consciência e pensamento de cada ser humano (evangélico ou não). Ou seja cada um toma suas ações conforme sua inviolável decisão própria, aos que tomarem decisões que invadam o espaço de outrem ou abusem através do poder físico, de coerção, abusem de sua autoridade e ultrapassem os limites que a eles seja impostos os rigores da lei.
Se há separação entre igreja e estado, aonde fica o nosso papel profético?

Conforme descrito acima, toda vez que o cristianismo tentou absorver o papel de controlador de desejos e ações do ser humano foi tão pródigo quanto as outras religiões existentes no abuso, na tortura e no distanciamento de suas funções espirituais e proféticas.

Não devemos em momento algum achar que a imposição de regras religiosas cristãs, fará o homem ser transformado. A única coisa que pode nos transformar é o espírito Santo de Deus, e mesmo assim o “espírito está sujeito ao profeta”.

A Índica, haviaília. Mas este o ritual do sati, que determinava que a viúva fosse amarrada ao corpo do falecido marido, e viva queimada junto, por mais que a novela da globo tente mostrar um ritual nobre, este apenas era motivado pela economia, pois quem iria sustentar a viúva?, ou mesmo a crença que ela trouxe má sorte a sua famritual foi abolido (pelo menos legalmente, pois em regiões remotas ainda é esporadicamente praticado), graças a intervenção do missionário Wiliam Carey, graças a um estudo sério e respeitoso da cultura hindu. Existem vários casos que podemos ver que a atuação dos cristãos gera um forte impacto mesmo em sociedades não-cristãs, através do impacto de uma profecia pró-ativa, não esta profecia inconseqüente e auto-promotiva de alguns ditos líderes evangélicos.

A profecia contra a injustiça social contida no livro de Malaquias, é um exemplo disto, apenas somos lembrados quanto aos dízimos e ofertas, mas esquecemos de todo contexto e a declaração do furor divino quanto a injustiça social.

Estamos apenas focados, em condenar o mundo e maximizar o pecado fora de nossas comunidades, escolhemos qualquer coisa homossexualismo, tendências políticas, etc. e nos esquecemos do grande número de divórcio, mesmo entre pastores, falamos da falência das famílias do mundo, mas nos esquecemos de nossas famílias, quantos pais não lançam seus filhos de prédios, mas os ignoram completamente? Quantos maridos abusam de suas esposas, física, moral, emocional e socialmente falando? Quantas esposas baseadas em direitos iguais de seus maridos passam por cima deles propositalmente esquecendo-se do motivo mas apenas pra dizer que não é submissa? Quantas comunidades evangélicas ignoram a liderança feminina, e mesmo nas que aceitam o ministério feminino forças as mesmas a ter seus comportamentos? Quantas vezes transformam a igreja do senhor de um ringue de lutas políticas pelo poder, passando por cima das pessoas e criando feridas muitas vezes incuráveis nelas?


E mesmo quando o discursos é atual, esquecemo-nos de alguns desvios de caráter no nosso povo, infelizmente não vi ninguém condenando a dita “oração da propina”, um caso facilmente de detecção que os fins justificam os meios.

Mas o importante é aquele lembrete divino de que toda profecia tem de ser julgada a luz da bíblia. Ela nos garante liberdade, de ações e pensamentos, o que nos limita as ações é a bíblia, e não o pensamento de lideres apopléticos, que tentam fazer sua percepção valer por sua força, mas a decisão que tomarmos de baixo d nossa oração. Nenhum líder religioso pode falar em nome de todos os evangélicos, e nem mesmo no nome de sua igreja. È com satisfação que lí um texto do precioso Valdo Romão que de maneira simples mas contundente demonstra isso (não pedi autorização, mas passo o texto inteiro pra melhor compreensão): “Sobre o tema levantado, não há da parte dos batistas quer do Brasil e especialmente aqui de São Paulo, qualquer manifestação oficial de apoio a este ou aquele candidato.

“Nós defendemos a livre consciência. Não favorecemos nenhum partido ou candidato.
Quem assim expressa dizendo apoiar, não fala em nome da Convenção Batista Brasileira e no nosso caso, nem em nome da Convenção Batista do Estado de São Paulo. Ele pode falar em nome pessoal, nem em nome da sua própria igreja ele fala. É certo que a mídia sempre distorce. Temos sim, o compromisso de orar pelas autoridades, assim pede a Palavra de Deus. Resta-nos recordar os princípios que defendemos. É o que temos, Pr. Valdo Romão e Pr. Genivaldo Andrade de Souza Presidente – CBESP”

Vemos a cada dia, em nossas TV´s exemplos de estados totalitários com ênfase na teocracia., como no Irã e o movimento Talibã do Afeganistão, e diversas guerrilhas, como os soldados do senhor em Uganda de ênfase dita cristã. Que são um atraso na vida de seu povo e nação. A tentativa espúria de trazer o messianismo evangélico a política, traz a tona um movimento que não respeita nem as lideranças de sua igreja local, sob a batuta de alguns serem mais espirituais que outros ou mesmo tratar dos assuntos eclesiásticos apenas como uma disputa política cai no mesmo erro do comunismo, em que a tese de que todos são iguais e merecem a mesma coisa, e todos devem participar das decisões, sucumbiu perante a lideranças que se achavam superiores a outros cidadãos e com um discurso firme na doutrina se colocavam acima das demais pessoas, e estas eram consideradas inimigas do regime.Infelizmente tal postura não deixa de aparecer a cada 2 anos em que as eleições pra presidente, prefeito e demais cargos é imbuída de uma espiritualização, como se nosso voto fosse escolha de um líder qualquer, pois ele fala com Deus e eu não. È um movimento oposto a reforma protestante, e um movimento comprado muitas vezes com favores e cargos.

Acredito piamente, queDeus tenha levantado pessoas pra lutar sim contra a injustiça social, em nosso meio, pessoas que tem um projeto para a sociedade, projeto estemuito distante das propagandas que recebo de candidatos evangélicos, cujas ações se limitam a criação da praça da bíblia, ou eventos de homenagem a grupos da vida cotidiana da igreja, embora ache que estas sessões comemorativas tenham sua importância, não podemos achar que esta é a função de determinados cargos. O político dito evangélico deveria ter uma pauta social a cumprir, deveria ter uma ação inclusiva nas demandas da sociedade, que atingisse a necessidade de todos os grupos religiosos de nosso país. Um exemplo disto foi a abolição dos escravos na Inglaterra. Enfim o líder político evangélico tem de ser aquele que esteja acima da medíocre tese de defesa da igreja, e seja alguém que traga ações de progresso a nação em todos os seus tramites. Tem de ser alguém que não tenha a vocação para apenas ser um despachante a serviço das organizações eclesiásticas.

Logo no início da igreja no país devido a perseguição da sociedade romanizada, os evangélicos tinham como auxílio a Maçonaria. Ela locava salões, ela trabalhou muito ferozmente pela liberdade religiosa. Entretanto, não é este um reconhecimento da sacralidade desta organização, mas sim um reconhecimento que se Deus quer ele sempre utilizará quem ele quiser, sendo cristãos ou não. Haja visto que Deus utilizou governantes que não faziam parte do povo de Israel pra libertar e proteger seu povo. Ele é muito maior que nossa mediocridade e miopia espiritual. A cortina de ferro, bem como a cortina de bambu, ou memso a perseguição religiosa jamais impediram ou vão impedir o avanço do povo de Deus. Entretanto nossas armas são muito mais espirituais, de comportamento do que políticas.
 

 


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