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Marketing e Evangelização: Dá certo?

o uso da lógica de marketing não está restrito às igrejas dos Estados Unidos, mas também em outros países como Brasil
ATITUDE AUTOR Fernando Heise 29 DE JULHO DE 2012

Há algum tempo atrás, o jornal O Estado de São Paulo reproduziu um artigo publicado nos Estados Unidos sobre a prática de diversas igrejas evangélicas usarem o game Halo 3 (um jogo extremamente violento e que faz muito sucesso) para atrair jovens às igrejas. O argumento é simples: as igrejas precisam e desejam atrair jovens para lhes pregar o evangelho e a mensagem de paz, mas como os jovens parecem não ter interesse neste tipo de assunto, elas decidiram lhes dar o que eles querem (a oportunidade de jogar em grupos um game da moda) e depois tentam anunciar a Boa-Nova de Jesus.

A principal discussão em torno deste assunto é se a experiência do jogo violento no interior da igreja não vai contra a mensagem de paz que a mesma igreja tenta pregar. Sem entrar na discussão sobre a contradição ou não entre um game violento e a mensagem de paz (apesar de que nem sempre o que as igrejas pregam são realmente mensagens de paz), quero chamar atenção para o fato de que a lógica por trás desta estratégia pastoral é a aplicação no campo religioso da lógica de marketing: pesquisar os desejos do público alvo e adequar a oferta a estes desejos.

Quando o objetivo maior de uma igreja é aumentar o número dos fiéis, parece-me bastante razoável que se aplique a lógica e as técnicas de marketing ao campo religioso. Pois, se há uma "ciência" bem desenvolvida para atender os desejos de seu público alvo e aumentar a fatia no "mercado" (seja religioso ou um outro) é o marketing.


Esta é a razão pela qual o uso da lógica de marketing não está restrito às igrejas dos Estados Unidos, mas também em outros países como Brasil. Há setores das igrejas cristãs que acreditam que a solução para os problemas pastorais e, especialmente, para fazer a igreja crescer (quantitativamente) está no marketing. Esta proposta é bastante sedutora, pois muitos pastores e lideranças das igrejas estão, com certa razão, preocupados com o número de fiéis. E como as teologias tradicionalmente utilizadas nos seminários e nas pastorais não estão conseguindo solucionar este problema, marketing soa como uma inovação salvadora. Assim, muitas igrejas cristãs (inclusive a católica) possuem ou estão criando institutos de marketing ou algo que se parece com "departamento de marketing" no interior das igrejas.



O maior problema desta tendência é que a lógica profética do Cristianismo entra em contradição com a lógica do marketing. As igrejas e pessoas que assumem a missão de anunciar a Boa-Nova do Evangelho devem ouvir em primeiro lugar a Palavra de Deus, e não os desejos dos "consumidores". Pois se missão cristã é simplesmente atender aos desejos religiosos do povo para encher as suas igrejas, o chamado à conversão não faz sentido. A conversão só ocorre porque as pessoas encontram valores e propostas que são diferentes do que estão desejando.



Oferecer games violentos, colocar uma pitada de açúcar na mensagem cristã ou reduzir as liturgias a shows emotivos pode ajudar a encher as igrejas, mas é também correr um sério risco de esvaziar ou até mesmo negar o Evangelho. Por outro lado, penso que as igrejas podem e até devem levar em consideração as técnicas de comunicação e de marketing na sua missão profética de criticar as injustiças e desumanidades que marcam o nosso mundo e anunciar a esperança de um mundo mais humano.



A idéia do marketing não é compatível com a missão cristã, mas há técnicas e conhecimentos utilizados pelo pessoal do marketing que podem ser aproveitados em outras lógicas. Um exemplo simples disto: o uso das técnicas de comunicação visual na confecção de materiais das lutas sociais. O equívoco do pessoal que acredita que o marketing é a "salvação" para a pastoral não pode nos levar a outro equívoco de não aprendermos os conhecimentos e técnicas utilizados no campo de marketing, que poderiam ser muito úteis na nossa missão cristã.
 

 


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