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Tudo Comunica

Tudo na igreja é comunicação
ATITUDE AUTOR Fernando Heise 22 DE ABRIL DE 2012

As roupas comunicam. Na igreja, o altar comunica. A organização dos bancos e dos outros móveis também comunica. O olhar dos membros para com o visitante comunica. A música comunica. A limpeza das áreas comuns, inclusive banheiros, comunica. A mensagem pastoral comunica. O boletim tenta comunicar.

Essa realidade é percebida por todos os líderes que buscam o crescimento de sua comunidade de fé. A mudança eletrônica e midiática de muitas denominações demonstram que às vezes é possível ser uma igreja de um só ou poucos templos e contar com centenas de milhares de fiéis, muito mais do que os que frequentam semanalmente os espaços dedicados aos cultos e outras reuniões. Se isso é bom ou não só é possível avaliar pelos frutos que permanecem, não apenas numéricos, mas conforme orientado pela Bíblia.

Ainda há muitas igrejas, e seus líderes que acreditam erroneamente ser a sua palavra obrigatoriamente o centro da liturgia. Permanece a ilusão que essa mensagem é suficiente, em meio à inúmeras manifestações religiosas contraditórias que as pessoas estão sujeitas no seu dia-a-dia. Saber dominar os canais possíveis de comunicação e envolver a liderança nos esforços de comunicar é algo essencial para frutificar nos dias atuais. Imaginar que ficar fora da Internet não faz diferença é correr o risco de não atingir algumas faixas etárias. Não existir um treinamento adequado no uso de ferramentas sociais de interação fazendo uso do computador para produzir desde malas diretas até blog´s é certamente algo que pode prejudicar a capacidade de influenciar os membros de forma mais efetiva.

Não ouvir, não abraçar, não sorrir, não estar atento a um olhar mais triste ou preocupado, todas essas atitudes impedem o fluir da comunicação. Escrever bonito, mas de um jeito que só teólogos entendem, é praticamente o mesmo que faziam os escribas tão criticados nos evangelhos. A comunicação na Igreja deve servir para atrair a todos quanto possível para se converterem a Cristo. A cruz comunica: “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim.” (Jo 15: 32).

A comunicação é algo tão importante que precisa ser pensada de forma estratégica. A preocupação em ser uma igreja que comunica adequadamente deve ser parte de uma filosofia que orienta cada iniciativa para com os membros, potenciais membros e a sociedade em geral.
Entendo que há quatro tipos de problemas que podem interferir nesse processo:
1. Barreiras mecânicas ou físicas, quando, por exemplo, o equipamento de som está muito alto, baixo ou distorce a voz;
2. Barreiras fisiológicas, quando disfunções genéticas e deficiências impedem, dificultam ou atrapalham a comunicação;
3. Barreiras psicológicas, quando crenças, atitudes, cultura ou valores colaboram com o preconceito e alimentam estereótipos;
4. Barreiras semânticas, quando o uso de uma linguagem inacessível ou fora da realidade do receptor impede a compreensão ou não gera o efeito desejado.


Vivemos em um tempo de sobrecarga de informações, e a igreja corre o risco de ser apenas mais uma frágil voz que não consegue influir na vida das pessoas. Nesse cenário, não ganha quem grita mais alto, mas sim, quem tem a palavra certa, no momento correto, anunciada da melhor maneira possível, com interesse genuíno pela felicidade do outro. “Quão boa é a palavra dita a seu tempo” (Prov 15: 23). “As palavras suaves são favos de mel, doces para a alma, e saúde para os ossos” (Prov 16: 24).

Para sobreviver atualmente, todos aprenderam a ter uma percepção seletiva do que lhes é comunicado. Penso que alcançar credibilidade, confiabilidade e pertinência para que, a comunicação chegue até seus destinatários e realmente faça diferença é uma tarefa cotidiana, árdua e que merece reflexão.

Há sempre o risco da igreja local se tornar tão fechada, que a linguagem se restringe aos iniciados e afasta novos interessados. Quando se chega a esse ponto, que ninguém mais se preocupa com a comunicação, deixou de ser igreja e passou a ser clube social, restrito a sócios e com tendências elitistas. Como dizia um teólogo chamado Dietrich Bonhoeffer: “A igreja só é igreja quando o é para os de fora”.
Ser igreja de verdade é buscar se comunicar como Cristo ensinou, para todos e com a palavra certa.
 

 


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