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Direitos Humanos, os cristãos e os pobres
 

Não nascem nem livres nem iguais

Quantos pobres há condicionados de origem por seu meio de nascimento, por ter nascido num foco de pobreza que lhe condiciona por toda a vida!
DE PAR EM PAR 12 DE SETEMBRO DE 2012

Diz o artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Tremenda expressão. Todos os homens livres e iguais. A igualdade e a libertação nos são dadas por Deus. Deus nos criou a imagem e semelhança sua. Daí nasce nossa dignidade e ninguém a deve arrebatar a ninguém… ainda que, desgraçadamente, tenha no mundo ladrões de dignidade. Só este conceito de dignidade deveria criar no mundo umas dinâmicas generadoras de liberdade e igualdade, de solidariedade e de justiça.



Eu, que conheço bastante o âmbito da pobreza urbana das grandes cidades do mundo rico, o chamado Quarto Mundo Urbano, tratado por mim bem mais que outras pobrezas severas que se dão outros lugares do mundo pobre, não sei se me atreveria a gritar diante de um excluído dos bens materiais, sociais e culturais, que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.



Quantos pobres há condicionados de origem por seu meio de nascimento, por ter nascido num foco de pobreza que lhe condiciona por toda a vida!Adquirem uma mentalidade de fatum ou destino da que não lhes é fácil se desprender. Muitos nascem já sem liberdade, sem igualdade… nascem presa do fatum ou destino dos pobres que se desenvolvem nos terríveis focos infectos de pobreza. Teoricamente, formalmente, nascem livres e iguais. Mas só teoricamente ou desde o ponto de vista formal. Sua triste realidade rompe-lhes toda a possibilidade de igualdade ou de liberdade. Nascem já condicionados, determinados.



Assim, os que trabalham pelo cumprimento dos Direitos Humanos, deveriam começar por criar as condições sociais para erradicar da terra todo o foco de pobreza e de exclusão social. Isto se transforma num telefonema de responsabilidade prática e solidária aos cristãos. Para que isto se cumprisse teria que trabalhar para que todos os meninos abrissem seus olhos à luz em situações socio-econômicas de certa dignidade, que ninguém esteja condicionado em sua liberdade, dignidade e direitos por nascer já em focos de pobreza, focos que vão moldar tanto a desigualdade, como a dignidade, como os direitos. Muito trabalho por fazer para que os Direitos Humanos sejam uma realidade para todos.



Muitas imagens há em minha mente de pobres urbanos, de pessoas no meio do mundo rico, afundados tanto psicológica como fisicamente por ter nascido num foco de pobreza e ter vagado pelo mundo com esse estigma de ser pobre… desde sempre. “Eu sou pobre”, dirão. Como se essa fosse sua condição ontológica. Como se se pudesse nascer já pobre, sem dignidade e sem direitos. Pessoas indubitavelmente impregnadas da dignidade que lhe dá o ser criaturas de Deus, por tanto “livres e iguais” a todos os demais, mas vagam como bonecos rompidos, impregnados, talvez, do álcool, como marionetas manejadas pelo destino. Sua desigualdade e roubo de dignidade tem começado no momento de nascer. Tristezas amargas da vida, ou da anti-vida, do não-ser da marginalização!



Se nos fixamos no conceito de proximidade de Jesus, em seu mandamento de amor ao próximo, não podemos dar as costas a estas realidades. Se o fazemos estamos a trair a nosso irmão, ao próximo sofredor e, por tanto, a Deus mesmo que compara o amor a Ele e ao próximo em relação de semelhança. A Busca da justiça e o trabalhar pelo cumprimento dos Direitos Humanos pode se converter numa prática de proximidade, de ajuda e de amor ao próximo.



Lembrança: Um pobre urbano, nascido num foco de pobreza, moldado desde seu nascimento por esse fatum ou destino do que se crêem presa muitos dos pobres desde o momento de nascer. Gastado, com o corpo inclinado e encurvado como se não se atrevesse a olhar para adiante… a solidão lhe pesava como uma grande lousa de mármore. Passava pela Missão em procura de alimentos e de roupa sem grande interesse por outros temas de informação ou de rastreamento tendente a sua possível reabilitação. Não era fácil trabalhar com ele no aumento de seu auto-estima, em sua libertação e em sua integração na sociedade. Tinha nascido num foco de pobreza. Não tinha tido possibilidade de eleição.



Não tinha nascido nem livre, nem igual em dignidade e em direitos… Teoricamente sim. Desde um ponto de vista estritamente formal, tinha nascido livre e igual em liberdade e em direitos, mas em realidade tinha nascido já presa da injustiça, da desigual partilha, dos desequilíbrios sociais e econômicos. De um tacho roubou-se sua dignidade desde o momento de nascer. Tinha-se ido abandonando. Cheirava mau. Não tinha interesse pelo aseio pessoal. Não se curava suas doenças. Tinha as pernas inchadas e dependia do álcool… num dia entrou na sala da Missão Urbana de Madrid e disse que tinha bichos nas feridas dos pés. Lembro que se chamou a uma ambulância e o levaram ao hospital… Triste lembrança. Uma pessoa que tinha nascido e não tinha podido sair de seu foco de pobreza, de sua mentalidade de fatum adquirida, determinado física e psicologicamente… até que ponto? Podemos os cristãos mudar estas vidas? Há que ser utópicos. Sempre há um auréola de esperança.



Desde estas linhas animamos aos crentes a se converter em mãos e os pés do Senhor no meio de um mundo injusto, de direitos formais, mas que não têm reflexo na realidade de muitas vidas. Trabalhemos por eliminar focos de pobreza, estruturas de poder e econômicas injustas, por levar justiça aos injustamente tratados, por conseguir uma melhor redistribuição dos bens do planeta terra, por acercar os valores do Reino aos pobres que no mundo são legião. Um escândalo humano e uma mancha que nos afeta a todos.


Trabalhemos para criar as condições necessárias no mundo para que, realmente, os homens possam nascer iguais em dignidade, liberdade e direitos. Trabalhemos e lutemos por uma conjunção dos valores do Reino com toda a vertente prática do trabalho para fazer que os Direitos Humanos se cumpram e sejam uma realidade.
 

 


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